2.2 Produtos de sensoriamento remoto
Para atualização do Atlas referente ao período 2024-2025 foram utilizadas imagens orbitais do sensor MSI/Sentinel-2 (Bandas 2, 3 e 4).
As imagens Sentinel de julho a outubro são utilizadas para produção de um mosaico valendo-se dos pixels de mediana, após a remoção dos pixels contaminados por nuvens ou sombra. O processamento é feito no Google Earth Engine e exportado em Geotiff, mantendo as bandas e resolução espacial original de 10 metros.
Nesta edição do Atlas, assim como nas anteriores, foram utilizadas técnicas de interpretação visual, em imagens visualizadas na escala de 1:50.000. Os arquivos gerados foram validados a partir da observação de imagens de alta resolução do Google Earth, sempre que disponíveis, e com as imagens mosaico Sentinel-2, de 2022, 2023 e 2024 (sempre do período de julho a outubro de cada ano).
2.3 Critérios de mapeamento
O Atlas mapeia os fragmentos florestais maiores de três hectares, mínimo exigido para delimitar as áreas de desflorestamento. Áreas de desflorestamento menores que três hectares foram marcadas como “indício” e serão observadas novamente nas próximas versões do Atlas para acompanhamento de sua dinâmica.
As imagens Sentinel-2 originais são fornecidas na projeção Geográfica e Datum WGS84. Para os cálculos de área, todos os mapas são convertidos para Projeção Cônica Conforme de Albers e Datum SIRGAS2000. Essa projeção tem a qualidade de garantir a preservação dos valores de áreas em regiões de grande extensão, como a Mata Atlântica.
2.4 Legenda adotada
Considerando o caráter de monitoramento dos remanescentes florestais e ecossistemas associados do bioma Mata Atlântica, a legenda adotada inclui as classes:
● Mata (Remanescentes Florestais);
● Desflorestamento (em Mata monitorada pelo Atlas);
● Restinga (Remanescentes Florestais);
● Desflorestamento de Restinga;
● Mangue (Remanescentes Florestais);
● Desflorestamento de Mangue;
● Veg. Natural (Áreas naturais em recuperação florestais ou herbáceas/arbustivas);
● Áreas Naturais não Florestais:
o Áreas de Formações Pioneiras (Várzeas);
o Campos de Altitude Naturais;
o Refúgios Vegetacionais;
o Dunas;
o Restinga Herbácea;
o Apicum;
o Banhado e Campo Úmido;
As formações naturais não florestais são essenciais para a manutenção do ambiente natural e biodiversidade em suas áreas de ocorrência, e foram, ao longo dos anos, acrescentadas à base do Atlas. No entanto, sua remoção não é monitorada, como será explicado a seguir.
2.5 Critério para identificação da perda de vegetação
No relatório, adotamos o termo “desflorestamento” para a perda de cobertura florestal na máscara de mata, mangue e restinga monitorada pelo Atlas. A “máscara” corresponde aos fragmentos de remanescentes maiores de três hectares que se encontram mais preservados (Figura 2) e que foram delimitados em 2005 a partir da interpretação de imagens Landsat de 30 metros de resolução espacial.
As perdas de vegetação em Áreas Naturais Não Florestais (várzeas, campos de altitude, refúgios vegetacionais, dunas, restingas herbáceas e apicum) não são incluídas no relatório, pois o detalhamento dessas feições foi realizado posteriormente no Atlas e, portanto, não possuíam o registro de remoção para efeitos comparativos para a série histórica.
A identificação do desflorestamento é realizada para o caso de corte raso, com a remoção total (ou quase total) da cobertura florestal original observada na imagem do ano anterior.
2.6 Detalhamento das classes da legenda
Abaixo estão detalhadas as classes monitoradas, que são utilizadas como máscara para comparação com imagens recentes e identificação das áreas de perda de vegetação nativa. Essas classes são praticamente estáveis desde 2010, com pequenos ajustes pontuais realizados por revisões pela disponibilidade de imagens de melhor resolução.
- Mata
A classe Mata identifica formações florestais naturais equivalentes às matas primárias e secundárias em estágios médio e avançado de regeneração. O mapeamento do Atlas pode ser considerado conservador, uma vez que mapeia apenas as áreas de vegetação florestal de menor interferência antrópica e maior capacidade de proteger parte da sua biodiversidade original.
Na Figura 2, apresenta-se um exemplo de uma imagem, composição colorida falsa-cor (município de Mucurici, ES), onde a vegetação se destaca pelos tons de vermelho escuro/marrom. O vermelho mais claro corresponde a áreas vegetadas, de porte mais baixo e menor densidade - em alguns casos, áreas de pasto sujo ou em um estado equivalente ao estágio inicial de regeneração. Essas áreas com sinais de alteração não são incluídas no Atlas. Áreas de tom vermelho escuro/marrom, de textura compacta e formas regulares, são áreas de florestas plantadas (silvicultura), que também não são incluídas no mapeamento. Na figura também se observa áreas agrícolas (pivôs circulares) que não são incluídas no atlas.